Ah ... Lelek!

DIREITOS AUTORAIS: LUANA DE MORAES PEREIRA
NOME DO LIVRO: AH LELEKE!
O LIVRO É MEU, EU PONHO O NOME QUE EU QUISER!
SE EU QUISER CHAMAR DE NARUTO BARNEY CALEIDOSCÓPIO, EU CHAMO!

Dedicatória: Dedico este livro ao meu cachorro Jhu-Jhu, à Thaynara, – minha colega que, na oitava série, disse que eu escreveria um livro – à Maypa – minha sugadora de inspiração, aos transportes públicos – minhas fontes de inspiração, e ao Peeterson – meu namorado, loiro, gato e imaginário.! ^^.

§1º Devido insistência por parte de Yasmim Ferreira, – BFF desde meados da 3ª série - também separo este espaço em sua homenagem.
§2º Devido insistência por parte de Júlia Pinto Teobaldo (Júpiter) e Carla Brita (Marta, cabrita), espreme-se mais este espaço na dedicatória.
§3º Também dedico esta obra à Izabel ( Belatriz ) enquanto a mesma não me matar, ou processar, por danos morais.


**Reconheço que algumas de nós colaram nas provas no fim do ensino médio, mas que não era essa a intenção. - will grayson, will grayson




Ah ...
Lelek!







"Era a minha primeira vez... E eu não sabia como, nem o que fazer."
***
Para a maioria das garotas de todo sistema solar, beijar a boca de um garoto era apenas uma ação simples que casais ou, na pior das hipóteses, grupos faziam. No entanto, para Júpiter, esta troca de germes dentários e saliva, no momento, era algo que estava martirizando sua mente. Não era uma simples ação. Era um compartilhamento de sensações, era um enroscar de línguas... Era a virgindade de sua boca em jogo. E no momento em que Paulo ia dar o bote com aquela boca cheia de dentes perfeitos, a melhor solução foi uma pipoca que ''acidentalmente'' escapou das mãos de Júpiter e foi parar na gengiva do pobre rapaz, que não via tanto problema assim em ter uma experiência bucal com a menina... Na verdade esta era a primeira vez de ambos, mas, como sabemos, os meninos não são tão paranóicos com essa coisa de germes e saliva... Eles simplesmente fecham os olhos, eu acho,aproveitam o momento, pensando em última instância se no dia seguinte acordarão com alguma doença nos lábios por ter dado o primeiro beijo.
Não vou dizer que Paulo estava em seu melhor dia. Pelo contrário, suas mãos pingavam nervosismo e seu coração queria sair de férias e curtir uma roda punk de tão agitado. Afinal, ele já tinha 19 e havia guardado esse momento para a garota certa e finalmente quando ela aparece o único sabor de beijo guardado nele foi o do Sazon da pipoca que estava agora irritando seus dentes.
**Nota da autora: Cara, isso é coisa de quem não tem nada pra fazer...
***


Cap. 1  

A aula de antropologia me flagra pensando em Paulo. O que eu posso fazer se o novo casaco do professor lembra tanto o que Paulo usou no dia do nosso primeiro encontro? Aquele do ''acidente'' da pipoca... Olho para o lado e vejo Marta se inclinando sobre o ombro para ver a cor da cueca de Ângelo. Ele nem desconfia que, em seus sonhos mais secretos, ela descobre algo mais além da cor de sua cueca. Mas isso é muito promíscuo e procuro logo afastar isso de minha mente. Já Lúcia, como sempre envolvida em seus devaneios, finge ouvir o que Belatriz diz, repetidamente sobre a futura e iminente falência da nossa tão amada faculdade, Universo Sistemático Gama Solar, mas na verdade seus pensamentos estão numa criatura, muito bem formada,  que está preguiçosamente despenteado e  deitado sobre a mesa: Eduardo.

                                                                ***
Lúcia havia decidido que em uma semana ela tomaria coragem e falaria com ele, ou desistiria deste garoto silencioso de uma vez por todas. Mas no fundo ela sabia que essa semana passaria muito rápido e ela tentaria esticar um pouco mais esse prazo mental.

                                                                ***
Eduardo levantou a cabeça como se algo tivesse chamado sua atenção. Seus cabelos estavam num momento de revolta e ele simplesmente os ignorou. Olhou na direção de Lúcia, mas ela desviou os olhos, como sempre fazia.
Ele se perguntava se havia sido real ou não a voz de Lúcia o chamando. Se um dia ela o enxergasse, ele poderia se considerar o cara mais feliz do sistema solar. Seria como encontrar água, quem sabe até vida, em um planeta qualquer, Netuno, por exemplo.
Sua amiga, Eris, se ausentaria por uns dias, então ele teria um tempo a sós com sua, confusa, mente e tentaria por em prática a missão de trocar ao menos olhares com Lúcia.

                                                                 ***
No lado dos politicamente incorretos, Ângelo lembrava que sua mãe não estaria em casa naquele dia, portanto, teria que se contentar com comida expressa.



Cap.2

Chegando em casa, descubro que não temos gás, logo, meu irmão teria que se aventurar com um sanduíche no almoço.
Peguei minhas partituras e comecei a treinar uma música nova da Dani.
O celular vibra e vejo que um sms de Lúcia pisca, tentando tirar minha concentração. No dia seguinte ela viria para minha casa aprender a tocar violão. O arrependimento de oferecer aulas de violão a ela bateu após a nona mensagem que ela me enviara no mesmo dia, num intervalo de duas horas. Mas, como eu já havia prometido, não ia abandonar a pobre coitada logo de cara. Não é de meu feitio fazer esse tipo de coisa. Talvez eu mostrasse um lado bem monstruoso do instrumento e ela ‘resolvesse’’ desistir de aprender, livrando-me desse tormento.
Depois de ouvir os protestos de meu irmão para que eu fizesse algo para beber, tranquei a porta de meu quarto (que também é dele)  e me conectei ao facebook. Paulo estava online e depois de alguns instantes veio puxar assunto comigo. De início conversamos normalmente. Até porque ele não ia declarar seu ‘amor’’ por mim e a falta que sentia de nossas trocas linguísticas. Mas após uns instantes ele levou a conversa para um assunto que não era citado desde nosso último encontro, há exatamente 2 anos, 3 meses, 7 dias e 5 horas atrás. Ele disse que sentiu minha falta – não da minha língua – e me perguntou por que deixamos a situação chegar a esse extremo. Eu respondi que não podemos dominar o tempo, mas podemos fazer algumas ações para que ele haja em nosso favor.
***
Eu estava no portão de meu condomínio, esperando Paulo voltar do estágio. Ele estudava na mesma escola que eu, portanto, nos víamos com bastante frequência . Ele estava 9 minutos atrasado e o que mais me irritava é que eu não estava dando a mínima para isso. O importante é que eu logo o veria e quem sabe, nesse segundo encontro, eu conseguiria derrubar minha resistência e romper a barreira bucal. Alcançando o objetivo – não tão secreto – de ambos, o beijo de língua.
Ao dobrar a esquina ele me visualiza e lança um daqueles sorrisos, que eu tenho vontade de guardar num pote, para que dure para sempre.
O incidente do primeiro encontro tinha sido a uma semana e dessa vez ele optou por um lugar que não envolvesse pipocas nem Sazon. Cinco minutos depois, chegávamos em uma aconchegante sorveteria.
Entramos em uma, infindável, fila e observamos o cardápio com olhos ansiosos. Quase uma eternidade depois ele me encarou e soltou as palavras como se viesse ensaiando a algum tempo:
- Júpiter, você sabe que eu gosto de você. E você, pelo que parece, também tem um sentimento parecido por mim. Então, eu gostaria de saber se você gostaria de me dar uma chance.
Congelada, abismada, feliz, irritada. Eu não sei qual foi a reação que meu rosto demonstrou.
Como ele podia ser assim TÃO DIRETO? Eu não conseguiria fazer isso...
-Bom, eu te admiro. Você é um rapaz responsável, enigmático, sincero e, principalmente, professa a mesma fé que eu e bom, eu realmente gosto de você. Acho que se tentarmos poderia dar certo.
- Então que tal se tentarmos agora? – Paulo me puxou para mais perto e eu pude sentir o compasso do seu coração se fundindo ao meu. As palavras, tentando definir aquele momento, fugiram completamente de minha mente. Os números de vezes que meu coração palpitava não fazia mais sentido e naquela fila, antes de pedir uma casquinha com três bolas de sorvete de flocos, eu beijei um garoto pela primeira vez.
***
**Nota da autora: Cara, adicionei essa parte explicando o beijo agora.. Acho que ficou bom


Cap. 3

Lúcia estava sentada na minha cama, enquanto eu esquentava o almoço para meu irmão. Ela estava inquieta, mas, quando perguntei o motivo, não quis me contar.
Na verdade, Lúcia tinha ouvido uma parte, desagradável, da conversa entre Éris e Eduardo, onde ele citava a ‘namorada’’. Desde então, ela agarrou um silêncio e só o largou ao se despedir de Marta, no caminho para minha casa. No entanto a ‘namorada’’ de Eduardo tratava-se de uma garota que estava em outra dimensão. Eduardo e ela não se viam há alguns milênios e o romance havia despencado antes da existência dos dinossauros na Terra. Porém, Lúcia nem desconfiava disso.
Sentei ao seu lado e comecei a explicar algumas teorias. Por incrível que pareça, a aula gerou bons frutos e, rapidamente, Lúcia conseguia tocar uma sequência de oito notas. Ouvi um barulho na porta, logo, meu pai e minha mãe surgiram, e eu percebi que ela usava o mesmo colar do dia em que tivemos a grande conversa.
***
Depois de concluirmos a missão, quase impossível, do primeiro beijo, eu e Paulo saíamos quase sempre. Ele se mostrava sempre um romântico e aqueles dentes tão perfeitos e alinhados...  AH!
 Em uma dessas saídas, esbarramos com alguns familiares. Minha mãe e minha avó se entreolharam, mas só fizeram um breve comentário sobre como o tempo estava abafado.
Eu tive a oportunidade de me despedir de Paulo sob os olhares de minha avó, ou seja, nada de beijos, apenas um rápido abraço e um tímido: ‘Nos falamos depois”.
Eu tinha quase absoluta certeza de que contornaria bem a situação dizendo que, por coincidência esbarrara em Paulo no shopping, mas, acho que não soltamos as mãos com a velocidade necessária, pois, minha mãe não caiu nessa e ao chegarmos em casa, nós tivemos A CONVERSA .
A regra decidida era: namorar apenas com a aprovação do meu pai. E foi aí que as coisas começaram a dar errado.
***

Cap. 4

Marta olhava para a declaração de transferência que estava em suas mãos. Durante os cinco minutos que encarara o papel, um peso de uma tonelada se acumulava em sua consciência. A primeira a saber de sua desistência seria Lúcia.
A decisão de voltar para ''sua terra'' tinha surgido após a quarta discussão que tivera com sua tia. Ela não comentava com ninguém sobre sua infelicidade e isso, mais o fato de não ter Jeve, para desabafar, e sua família ao seu lado, a deixava mais incompleta.
Marta lembrava como era bom estar perto de Jeve, sua pessoa preferida no mundo, e como ele cheirava bem. Oito anos de amizade, somados a alguns beijos, tornaram-nos inseparáveis.
Ela se recorda quando lhe contou que decidira fazer sua graduação num estado um pouco distante, o que os separaria durante umas boas centenas de bilhões de anos. Ele reagiu bem e até brincou, dizendo que só a chamaria de doutora, quando ela aparecesse com seu diploma de doutorado. Ela aceitou a brincadeira, mas ficou um pouco frustrada. Achava que um pouco de resistência surgiria através dele, porém, ele não demonstrou um pingo de tristeza. No entanto, Marta não sabia que, ao ouvi-la contando essa notícia, Jeve se contraía por dentro. Primeiro ele passou por um momento de torpor, depois veio a negação, depois a raiva e por último, a falsa aceitação, a mentira descarada, a ilusão.
***
Chegando em casa, Jeve se deitou na cama e chorou amargamente por não ter impedido aquela decisão e, principalmente, por não ter coragem de dizer que a ama desde a primeira vez que um arrotou na frente do outro. No início Jeve pensou que era apenas um novo laço sendo formado pela amizade, mas não, ele estava se apaixonando por sua melhor amiga. Porém, parecia que, quanto mais perto ele se encontrava de declarar seus sentimentos, mais Marta surgia com ideias de encontros arranjados para ele, os quais sempre eram dispensados. No dia em que se beijaram, acidentalmente, pela primeira vez ele ficou envergonhado, mas pensou que fosse explodir de alegria, pois finalmente teria uma deixa para embarcar no assunto, onde ele colocaria seus sentimentos em jogo, porém, no momento seguinte, Marta estava beijando um garoto que Jeve nunca tinha visto na vida.
***

Agora, seis meses depois da partida de Marta, nesse mesmo quarto onde derramou tantas lágrimas de saudades e onde escondeu seus sentimentos em alguns poemas escondidos na fronha do travesseiro, Jeve vestia uma calça jeans justa e uma blusa Polo branca. Iria pegar uma sessão no cinema com Letícia, sua nova aposta amorosa. A menina era totalmente o inverso de Marta e ele, assumia, tinha comparado as duas em certo momento. Mas, depois de cair em si que Marta não voltaria tão cedo e que seu relacionamento com ela não passaria de amizade, resolveu dar uma chance a essa menina, ruiva com sardas e longas pernas alvas, que o encarava da cama. Ele tentava imaginar qual seria a reação de Marta quando ele finalmente contasse sua novidade romântica. Ela certamente ficaria feliz por ele, até porque, não era ela quem sempre vivia empurrando-o para cima de desconhecidas?


Cap. 5

São as lágrimas

A mancha, 
o borrado.
São as lágrimas, 
derramadas no papel.
Se transformam em monstruosas figuras.
Elas sorriem
enquanto derramo...
As lágrimas.
Aparecerás novamente?
A paz.
Será que virá ao meu encontro?
Será que terei de buscá-la?
Disfarço, cogito,
a inspiração proveniente do sofrimento.
Uma calúnia, 
uma proposta,
a segunda resposta.
A dor retorna,
a saudade aperta,
a súbita vontade,
uma tormenta.
Uma gota.
Ou seriam duas?
Quantas ainda serão necessárias?
As feridas nesse músculo que bombeia sangue por todo meu organismo,
causaram uma séria depressão, estampada, em minha vida.
E dessa vez,
silenciosas e traiçoeiras,
São as lágrimas
derramadas no papel.
Lucy Curtis

                                                                           ***

Hoje Lúcia conseguiu trocar duas lindas palavras com Eduardo: ''é - mesmo''.
Não foi um ''realmente'', ou um ''incrível, né?'', mas, foi um ''é mesmo'', duas palavras que dão a entender ''hum...Que bom, mas, não quero falar com você''. Sendo que, na verdade, falar com ele era tudo o que ela mais queria.
 Ai ai, essa tal língua portuguesa e suas difíceis formas de interpretação.
O milagre aconteceu durante uma palestra sobre enfermagem na aeronáutica. O assunto abordado na palestra até que era interessante, porém, Eduardo estava sentado na cadeira ao lado e a atenção de Lúcia sucumbiu após o palestrante dizer seu nome. É incrível a facilidade que a mente, de uma mulher de 18 anos, tem para se desligar. Eles estavam sentados lá há 12 minutos e ela não conseguia desviar a atenção das escápulas de Eduardo.
Um outro problema, além da falta de atenção na palestra, era o que vinha incomodando Lúcia desde uns dias atrás: Júpiter. Quando ela se sentou atrás de Lúcia, Eduardo bruscamente olhou em sua direção e começou a dar risadas extravagantes. Estava, então, declarada a guerra entre as amigas.

                                                                             ***

Eu estava um pouco assustada atrás de Lúcia. Eduardo estava ao lado de minha amiga, mas ficava lançando olhares e sorrisos raivosos na minha direção. Será que ele queria ficar a sós com Lucy? Mas a sala estava lotada e eu não queria sentar junto ao povo politicamente bagunceiro! O jeito era aturar as olhadas de esguelha que Eduardo me dava e fingir que sorria. Afinal de contas, pouco me importava o que Eduardo queria.

                                                                              ***

Lúcia agora via Júpiter e Eduardo trocando sorrisos. Isso era o cúmulo da falsa amizade. Será que ela poderia ser assim tão cínica quanto aos seus sentimentos? Frustrada, baixou a cabeça e ficou imaginando uma, torturante e lenta, queda na escada para as duas vítimas.

                                                                              ***
Eduardo nem acreditava em sua sorte! Lúcia estava bem ali, sentada ao seu lado. Tudo estava fluindo perfeitamente, ele até mesmo deu uma explicação do tema da palestra para ela, mas, como a vida não é justa e o sistema solar não conspira para a fusão de seus planetas, chega a Júpiter para atrapalhar toda a situação. Tudo bem, a sala estava um pouco cheia, mas ela não poderia sentar um pouco mais distante? Tinha que se sentar bem atrás de Lúcia e tirar sua concentração? Agora Lúcia estava com a cabeça baixada, na certa, escrevendo algo para a amiga ler e Eduardo, mesmo com seu sorriso mais ameaçador, não conseguiu fazer com que Júpiter desse o fora.

                                                                              ***

Marta aproveitou a palestra para tirar um cochilo. O assunto era fantástico, mas seu sono era um pouco mais. Seu amado ébano de mel havia ido embora e ela, obrigada pelas amigas a ficar, não pode fazer o mesmo.

                                                                              ***


Em casa, Ângelo se dava conta que tinha se esquecido de passar no mercado para comprar arroz. Por isso, comeria macarrão instantâneo sabor galinha caipira novamente.


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